sábado, 15 de março de 2008
Queria acreditar que era para sempre.
Queria acreditar que era para sempre tudo que disse.
Queria acreditar que era para sempre aquela tarde de sol no ipiranga.
Queria acreditar que era para sempre nossas idéias de liberdade.
Queria acreditar que era para sempre nossas discussões sobre literatura.
Queria acreditar que era para sempre nossas caminhadas na praia até o pier.
Queria acreditar que era para sempre nossos planos de ter filhos.
Queria acreditar que era para sempre nossos namoricos atrás da biblioteca.
Queria acreditar que era para sempre nosso bem bolado no guarujá.
Queria acreditar que era para sempre nossas disputas sem nexo.
Queria acreditar que era para sempre nossas idas ao centro cultural.
Queria acreditar que era para sempre nossos atrasos.
Queria acreditar que era para sempre seu retorno. meu retorno.
Queria acreditar que era para sempre o seu, o meu, o NOSSO.
Queria acreditar que era para sempre tanto, que repito e me espanto.
Queria acreditar.
.te amo não mais dizer posso não te amo.
sábado, 1 de março de 2008
Simpleza dum bem-notado.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Sempre os intelectuais
A pauta para próxima reunião:
Meios de extinção desse mal.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Tietê
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
O copo
sentia o esperma estéril
rubro batom amargo
profanando-lhe o corpo
no inútil refecundar
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Veleidades.
Não seja tão errado, partido quebrado, não largue esta vida aqui ao meu lado, não parta pras guerras pequenas, mesquinhas, erradas de todo, do cabo ao rabo do seu tenente, major, marechal; que tal um tempinho deixando de molho, passando a vontade de suicidar, deixando a invasão jogada pra lá, note que mentira é o lado de lá, sinta o calor do copo na boca e meu corpo molhado e um pouco louca sou eu e a banda — não cessa a tocar — e não há uma banda pra o acompanhar. Não canto louvores que você não é nada, me deixa sozinha e enojada, vai pros cantos escrotos que escolheu, vai pra merda gostosa que o acolheu, vai pras rimas perdidas varridas no asfalto e as doidas varridas, aqui em seu encalço e meu peito arfante, arfando, rufante, que gosto de lama na sua boca, infante.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
é o fim da picada
- nossa, v. tem um houaiss, eu fico babando quando pego um.
- ora, então pegue-o.
pegou. ao longo de seu curso meu dicionário já batido se afirma e reafirma em precisão. vejam só, a comensal abriu na parte do M, voou-lhe uma Mosca.
- não baba.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Feliz 2008
A cinzenta visão assume o timão.
A embarcação precisa seguir o seu rumo.
O brilho da avenida já foi esquecido.
A sidra já foi vomitada.
O presente já foi roubado.
O ano deve ser começado.
sábado, 2 de fevereiro de 2008

sábado, 26 de janeiro de 2008
Sábado, meio dia na praça
Talvez se consumado fosse, seria mais um a povoar o quarto das fugazes lembranças.
Não haveria choro e nem dor.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Véspera de Natal
Aquele cara não era estranho.
Entro em casa, malas na porta e minha esposa despedindo-se com o álibi da confusão e viagem com suas amigas.
Estranho, ela entrou na Hilux e esta saiu elegante.
Olha para a sala e vejo a minha filha, docemente assistindo a Bela e a Fera.
Tão madura, olhou pra mim e lembrou-me que o pernil estava no forno.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
A última palavra não dita
Não conseguiu.
Tentou chorar.
Não conseguiu.
Concentrou-se, mirou os olhos do interlocutor e balançou a cabeça.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Inocência
Debulhou as asas,
Devorou as flores ainda embrulhadas
em bouquet.
Por quê?
Por quê?
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Roteiro de Filme de Guerra
"Ah, as estrelas em teus olhos azuis..."
Coisa mais de fresco, sô!
Hoje o poeta acordou macho pra caramba!
Vai escrever um roteiro de filme de guerra
Pra vender pra Hollywood
E ficar rico
E te levar pra lua.
A coisa que não se explica porque não é.
Moça, idade pouca, mocidade louca, andou por aí, desviando as intenções de muita gente da boa, direita e afeita à gente assim, simpaticíssima e loura. Não fazia de gosto, mas só de viver um pouquinho-pouquinho perto da referida gaiata, você já ficava todo-todo assanhado, mesmo sem sinal sequer de atenção e tenção de ter algo consigo por parte dela. E assim ela ia indo, distribuindo os sorrisos pras pessoas sem se aperceber de que algo tinha muito errado nisso tudo e que não era pra tanto assim.
Pois é que não era tão garbosa, embora personalidade até tivesse, e nem sabia conversar tão bem assim; se tomava a prosa não soltava mais e era só dela a voz que se ouvia, se sentia — e s’aplaudia! Mas, como exposto, o rosto dava gosto talvez justo pelo oposto: embora fosse esquisita, fosse sinistra, fosse toda fora do eixo, a moça fazia de um jeito que parecia até natural ser assim tão ruim, quando se tem dentes tão bonitos e se é tão feliz e...
Foi pessoa de bem, também, mas é claro que não pôde dar certo, e acabou-se tudo quando o lirismo se exauriu.

